OPINIÃO: O Medo

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Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

O medo é um estado emocional que surge em resposta à consciência de estarmos diante de alguma situação de perigo e, em alguns contextos, é importante para a nossa sobrevivência. As reações normais são a fuga ou o confronto.

O medo é um sentimento que não nos deixa progredir, não nos permite viver cada instante com tranquilidade, porque pensamos sempre nas consequências, e de forma exacerbada, o que acontece é que ficamos tolhidos por esta sensação e bloqueamos a oportunidade de sermos felizes ou experimentarmos novos desafios.

O medo deve ser confrontado e devemos ter consciência que somos capazes de dobrar os medos e transformá-los em mais energia para ultrapassar obstáculos que não nos deixam viver plenamente e, desta forma, sermos felizes.

Nesta passagem breve pela vida, um dos nossos primeiros objetivos é a alegria de viver e, para isso, temos que vivenciar cada momento sem receio de podermos sair magoados desta ou daquela situação, porque só desta forma evoluímos e crescemos como seres humanos.

A melhor forma de vencer os nossos medos é confrontá-los, é desafia-los, e não partirmos do pressuposto que tudo vai ser igual a qualquer situação que nos aconteceu no passado e que nos marcou de forma menos positiva e que, portanto, será melhor fugir porque não queremos repetir as mesmas sensações.

Contudo, isto é um erro, quem nos garante que tudo será igual?

Na minha adolescência, tive a felicidade de ter um excelente espectador – o meu pai -, ele só falava nos momentos certos para me dar a coragem que algumas vezes me faltava.

Certo dia, estava eu a viver uma determinada situação que não correu muito bem e o meu pai lá estava a observar. Lembro-me que ele apenas me disse que, naquele momento, eu precisava afastar-me, aceitar, refletir, mas, se futuramente eu tivesse que viver a mesma experiência que me provocou sensações menos boas, tinha por missão vivê-la, sem medo, porque eu tinha adquirido o conhecimento necessário para a desfrutar na plenitude.

Normalmente, não se vive duas vezes as mesmas situações, porque os dias são desiguais, as pessoas não são todas iguais. Vamos catalogar as diferentes situações que não queremos experienciar de novo com o pavor de que aconteça a mesma “coisa” outra vez?

A resposta é: Não. A mesma situação, no mesmo contexto, mas com novas pessoas pode dar-nos felicidade e prazer.

Construir barreiras ao nosso redor com o intuito de defesa é impedir a oportunidade de sermos felizes. Podemos voltar a “cair”, mas teremos mais resistência para nos levantarmos e continuar a viver cada instante como se fosse o último.

Muitas pessoas vivem infelizes sós porque perderam a esperança ou deixaram de acreditar que têm o direito à felicidade.

Estas pessoas evitam relacionar-se e amar com medo de se magoarem e, dessa forma, não se permitem viver plenamente.

Quantas vezes já fugimos de sermos amados por alguém, só porque temos medo de voltar a sofrer? Quem nos garante que será a mesma coisa?

Não consigo entender as pessoas que dizem não ter necessidade de amar e serem amados! Desde quando isto é verdade? Claro que tudo dá trabalho e o amor não é exceção.

Contudo, é um “trabalho” que se bem executado, proporciona satisfação e altos níveis de felicidade nas nossas vidas.

Vamos, sempre, permitirmo-nos um novo começo, um novo sentir e esperanças renovadas.

Vamos brindar à vida, à alegria em completa liberdade, com a coragem de nos concedermos, saborear cada momento como sendo único e só nosso.

Sejam felizes!

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