OPINIÃO: A Origem do Futebol

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Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

A origem do Futebol remonta aos séculos III e II a.C., na China. Conhecido como Tsu-Chu, lançar com o pé uma bola de couro foi criado por Yang Tsé, que usava este desporto, para treinar os militares da guarda Imperial. No começo, a bola, era o crânio dos inimigos mortos em combate.

O futebol, que nos dias de hoje é considerado o desporto rei, da China passou ao Japão, e neste país, tinha um cariz cerimonioso.

A bola era abençoada num templo, rezando-se por paz e prosperidade mundial. Não havia vencedores nem vencidos e contava apenas com oito jogadores, que, formando uma roda, passavam a bola uns aos outros.

Já no México, os Maias – povo nativo da América Central – usavam uma bola de borracha, que simbolizava o sol, e tudo faziam para não perderem, caso contrário, o capitão da equipa vencida, seria oferecido em sacrifício aos deuses.

Na Grécia, designado de Epyskiros, este jogo passou para Roma com outra denominação. Harpastum era um exercício militar, que fazia vítimas, por se prolongar por várias horas.

Os legionários romanos levaram este desporto até Florença, sendo conhecido como Calcio Fiorentino – muito parecido com o râguebi – era praticado por todos e em todos os cantos da cidade, sendo proibido junto a igrejas e palácios.

Este desporto, considerado, nos dias de hoje, uma festa em muitas cidades italianas e não só, esteve na origem do futebol que hoje é tão popular e tem tantos adeptos.

À Inglaterra, este desporto chega em pleno século XVII e os britânicos adotam uma série de regras, a começar pelas dimensões do campo e as primeiras balizas – chamadas de áreas de golo -, que eram dois arcos retangulares.

Entretanto, o futebol esteve proibido de ser praticado, em Inglaterra, por provocar muito barulho e desordem, e por muitos anos.

Surgiria mais tarde, em meados do século XIX, nas escolas públicas, e teve o apoio da igreja, que vaticinava que o desporto promovia a saúde do corpo e da alma.

Como cada escola tinha as suas próprias regras relativas a este desporto, houve a necessidade de promover a criação de um regulamento para todos. E assim se fez a separação entre râguebi e futebol, uma vez que, inicialmente, estas duas modalidades jogavam-se, uma na primeira parte e a outra na segunda parte de cada jogo.

O futebol jogado apenas com os pés tinha em campo uma única pessoa que podia tocar com as mãos na bola – o defensor da área de golo, o guarda redes.

A primeira Associação de Futebol surgiu em Inglaterra e, desta forma, se foram implementando as regras que hoje todos conhecemos, ou, pelo menos, os que gostam de ver e sentir o futebol, já para não falar do treinador e jogadores, porque esses fazem disso a sua profissão e, como tal, terão que as cumprir.

Para crescer e sair para o mundo, o futebol teria que pertencer ao povo, deixar de ser uma modalidade elitista, praticada apenas por estudantes, filhos da nobreza inglesa.

Teve papel relevante no crescimento do futebol a indústria que proporcionava aos seus trabalhadores condições salariais e de lazer, permitindo que, muitos deles, se dedicassem à prática da modalidade, expandindo-a. Muitos dos nomes de clubes que conhecemos hoje tiveram origem nas designações de algumas indústrias.

E o tempo foi passando e, com ele, o futebol, como modalidade, foi progredindo e hoje faz parte da cultura e da vida de muitas pessoas espalhadas pelo mundo. Pena é que este desporto não tenha sido poupado de atitudes menos corretas por tantos que dele fazem o seu modo de vida.

É um facto que todos os que trabalham, gostem de receber o preço justo pelo seu esforço, mas, no que diz respeito a essa matéria, as remunerações que se praticam no futebol são exorbitantes, na minha opinião.

Por outro lado, a venda de jogadores é algo que me causa arrepios, porque me faz lembrar outras atitudes que ficaram registadas nos anais da história, quando se traficava escravos. Vender pessoas não me soa bem de todo.

Não é de bom tom assistir-se a um jogo de futebol, no estádio, e insultar jogadores, treinadores e árbitros, quando não se parte para a agressão. Tudo atitudes que deveriam ser banidas.

Saber perder também deveria fazer parte de quem gosta de futebol. Porque só apoiam os jogadores quando estes ganham? Não perdemos tantas outras coisas na vida, bem mais importantes?

O futebol devia ser visto como outra modalidade qualquer. Algo que foi idealizado para fazer bem ao corpo e à mente.

O mundial já começou, na Rússia, pela primeira vez, e acabará a 15 de julho. Deus abençoe, todos os atletas envolvidos. Ganhe a equipa que tiver melhor desempenho.

Participam nesta competição 32 seleções, que esperam, independentemente dos resultados, serem apoiadas incondicionalmente pelos seus países, e, no regresso, recebidos com dignidade e respeito, como todos nós merecemos.

Usufruam serenamente dos momentos desportivos que irão ter lugar em algumas cidades russas, sem a preocupação ou ambição de que a nossa Seleção ganhe. Se isso acontecer ótimo, se assim não for, ótimo também.

Sejam felizes e empáticos.

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